Não seja preguiçoso!

A evolução no poker não passa por um modelo de aprendizado preguiçoso. Ainda que você compreenda bem isso, muito provavelmente não está agindo de acordo, nas mesas.

O poker evoluiu muito rapidamente nos últimos cinco anos e já não há mais espaço para o jogador talentoso e desleixado se sobressair sobre seus adversários. Haverá ainda menos espaço, para esse perfil de jogador, nos próximos anos. Para aqueles que ainda não ocupam um lugar ao sol e querem fazê-lo, o trabalho deve ser ainda mais dedicado e metódico.

O que me levou a falar sobre isso, neste artigo?

Depois que eu comecei a minha trajetória como instrutor de time e professor de cursos de poker, pude notar claramente essa lacuna no aprendizado dos jogadores – tratar o geral como específico e o específico como geral.

O poker é um microssistema da vida, logo quão mais minucioso e detalhista você for nas suas análises, maiores serão suas chances de encontrar uma melhor decisão subseqüente.

Um exemplo claro dessa generalização preguiçosa, que muito atrapalha a qualidade das decisões dos jogadores menos dedicados, é tratar todo “fish” como uma coisa só.

Acho muito curioso como diversas decisões com fundamentos equivocados, são justificadas com “o adversário era um fish, então eu optei por…”
“Dei esse call no River porque o cara era “fish” e jogava toda mão”
Essa análise pobre pode prejudicar absurdamente a qualidade das suas decisões e também a sua evolução no poker.

Quando você rotula um jogador como fish, é fundamental que você categorize ele. Siga observando atentamente o seu comportamento objetivando enxergar padrões, porque ele pode ser fish por jogar muitas mãos marginais, porém não blefar nunca o River (a segunda ação não é uma consequência natural da primeira). Ele pode ser fish por pagar todos os 3bets, ou ainda por não defender o Big Blind numa frequência mínima satisfatória. Pode ser fish porque paga muito e aposta pouco, ou por apostar sempre o pot em todas as streets. Enfim, não dá para você rotular o cara como fish e ficar satisfeito com essa qualificação. É muito pobre e não atende as suas necessidades para tomar decisões melhores.

O outro lado da moeda também ocorre bastante- generalizar eventos específicos e tratá-los como verdade absoluta.

Exemplo: você da raise e toma dois 3bets seguidos do mesmo oponente. Imediatamente já rotula o cara como super agressivo que 3beta bastante light etc sem levar em conta que o cara pode ter recebido duas mãos de grande valor.

Esse rótulo indevido vai lhe custar lá na frente uma decisão importante, porque você vai interpretar mal a pessoa por pura preguiça de analisar o cenário com uma profundidade maior. Seguir observando o comportamento do adversário é fundamental nesse processo de conhecimento.

É preciso fazer mais, muito mais que isso. Há de se fazer notes o mais específicas possíveis para otimizar suas decisões contra todo adversário que enfrentar. Jogue menos mesas e se acostume a fazer notes com essa qualidade. Você vai perceber como o seu ajuste em relação a cada adversário vai melhorar consideravelmente.

É muito importante você analisar com precisão e depois concluir qual a melhor solução para esse comportamento do adversário. Jamais contentar-se em estabelecer padrões a partir de rótulos empregados de forma preguiçosa, sem nenhuma responsabilidade. Não seja o cara que justifica seu insucesso pela incapacidade do outro de entender suas jogadas. Se as suas decisões não vem trazendo resultados positivos, tenha certeza que você tem bastante espaço para melhorá-las e a solução para isso não passa por reclamar da jogada dos adversários ou rotulá-los como fishes.

Em cada rótulo de fish, existe um ser humano por trás, carregado de peculiaridades que o definem. Mergulhe no mundo desse adversário e tome melhores decisões a partir de ajustes cirúrgicos. Desenvolva empatia para respeitar esse cara, compreendê-lo melhor e se ajustar a ele com maior precisão.  Acima de tudo, respeite a abordagem do fish com o poker. Ele também pode te ensinar algumas linhas extremamente interessantes.

Mãos à obra e nos vemos no pano.
Abraços,
Chenaud.
#pokernossavida
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