A mais rara virtude

Se me perguntassem qual a maior virtude que um jogador precisa desenvolver para ter uma carreira sólida e duradoura no Poker, eu não hesitaria um segundo para responder – a capacidade de poupar dinheiro. Essa é também a virtude mais rara e negligenciada.

Talvez esta afirmação te deixe boquiaberto num primeiro momento, mas espero ser compreendido, após elencar as minhas razões para tal.

Poker é um jogo extremamente exigente, especialmente pela frustração que impõe rotineiramente aos seus praticantes. Esta carga emocional, difícil de lidar, não raro leva os jogadores à beira da loucura. Nestes moldes, fica fácil identificar que ter dinheiro guardado contribui muito para se harmonizar com essa realidade.

Outro aspecto relevante que poupar dinheiro proporciona é que essa virtude acaba sendo uma diretriz de como tomar decisões também dentro da mesa. Jogadores que não poupam, tendem a agir de forma descuidada tanto na seleção de torneios quanto na aplicação de suas linhas de raciocínio. Ao longo da minha carreira, não foram poucos grandes jogadores que presenciei a ascensão e posterior sumiço do cenário. Claramente, a má administração de seus recursos foi o ponto-chave para isso acontecer.

Existe uma outra característica marcante nos jogadores de sucesso, que poupar dinheiro muito contribui para a lapidação do seu caráter – honestidade.

A honestidade é um dos bens mais valiosos que um bom caráter carrega consigo. Não me atreveria dizer, nem por um instante, que a ausência de dinheiro impede o desenvolvimento pujante dessa virtude, mas afirmo sem titubear que o dinheiro facilita demais o caminho da honestidade. O ser humano quando passa por situações críticas, de extrema necessidade, fica mais suscetível a ter desvios de caráter. Eu vi isso de perto uma quantidade de vezes suficiente para não mais me surpreender com o surgimento de novos casos.

Eu poderia seguir falando, sem parar, dos inúmeros serviços prestados pelo ato de poupar dinheiro, mas fatalmente esse artigo não chegaria a um ponto final. Felizmente, esse argumento da honestidade me parece forte o bastante para não precisar de nenhum outro. Ademais, a carreira de um jogador é repleta de altos e baixos e eventualmente você poderá precisar de um ombro amigo que te estenda a mão. Um espírito íntegro, dotado de honestidade tem muito mais chances de ser amparado no período de vacas magras.

Para despedir-me, quando a ética não for motivo suficiente, deixo-lhes um incentivo com a aula do grande Jorge Ben: “Se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem.”

Fiquem com Deus e nos vemos nas mesas!
Abraços,
Chenaud.

#PokerNossaVida

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