Não tenha um plano B para os seus sonhos!

Em Março de 2008 eu tranquei minha faculdade de direito no nono semestre e não foram poucos os que me chamaram de louco, irresponsável, imaturo… por fazê-lo. À época, eu tinha uma coisa clara na minha mente: não fazia nenhum sentido, eu comprometer muitas horas do meu dia dedicando-me a algo que não estava alinhado com o meu sonho: ser jogador profissional de poker. Aquelas horas pareciam muito mais tempo perdido do que investido.

Esta, no entanto, não foi uma decisão que tomei por impulso. Não foi algo que aconteceu do dia para a noite. Eu esperei 2 anos para bater o martelo. Foram 2 anos estudando, praticando e ganhando no poker, enquanto cursava a faculdade de direito. Depois de passar por esse período, ganhando consistentemente, é que eu resolvi trancar o curso e ir “all in” no poker. Era a decisão mais importante da minha vida.

Felizmente, eu escutei o meu coração e tomei a direção certa. Ao longo do caminho, contudo, não foram poucas as vezes em que eu questionei a minha capacidade de prevalecer sobre meus adversários e viver do jogo. Ainda mais frequente foram as vezes que pensei em abandonar minha carreira e seguir outro rumo- um mais seguro, que não me
exigisse tanto e que me proporcionasse uma vida mais normal, com direito a passar os fins-de-semana com meus amigos.

Se eu contar para vocês um dos fatores mais importantes que me fizeram permanecer e seguir em frente, lutando contra as adversidades e superando desafios, certamente hei de deixá-los boquiabertos: eu não tinha um diploma na minha parede. Sim, meus caros, não ter essa peça tão valorada pela sociedade, salvou minha carreira.

O diploma, que para muitos, representa o início de um sonho, possivelmente seria o fim do meu, em diversos momentos. É sempre muito mais fácil desistir do que seguir em frente, destruir a construir… a carreira de um jogador de poker é das mais difíceis que eu conheço. Ela é tão difícil que muitos chegam a considerá-la impossível.

Uma lição valiosa que aprendi trilhando a carreira de jogador profissional é um velho clichê: nunca desista! Pude, então, entender claramente o porquê dos clichês se desgastarem. A meu ver, eles são conhecimentos tão valiosos que as pessoas compreendem, repetem e defendem, exaustivamente, sem jamais colocá-los em prática. Apenas alguns poucos o fazem e estes são recompensados por seus esforços.

Seguir em frente, sem jamais desistir! Como fazê-lo quando se tem um plano B aguardando-o para ser implementado naqueles momentos mais difíceis? Momentos estes, que são a chave para realizar grandes feitos, já que superá-los é um fator decisivo nesse processo de evolução rumo a consecução dos nossos maiores objetivos.

Quando se tem um plano “B”, é muito mais cômodo trocar as noites em claro e as lágrimas de dor que forjam o nosso caráter, pelas facilidades de um novo recomeço. A má notícia é que esse novo recomeço vai atingir o estado evolutivo que você agora se encontra nessa atividade “A”. Neste momento, você então buscará um plano “C”, um “D”, até acabar com todas as letras do alfabeto sem terminar coisa alguma, ficando pelo caminho, furtando-se a viver, sendo mais um na multidão.

Sou muito grato por ter vivido tantas adversidades na minha carreira como jogador por que são as cicatrizes dessas batalhas que marcam a minha alma e revelam quem eu sou. Se o caminho fosse reto, haveria menos escuridão e menos luz também. Prefiro, contudo, percorrer os caminhos dos extremos para um dia, quem sabe, alcançar o palácio da sabedoria e compartilhar minha experiência com as gerações futuras, fazendo a roda girar.

Um grande abraço e até a próxima,
Chenaud.

#PokerNossaVida

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