É preciso muita sorte 🍀

Uma coisa muito difícil das pessoas entenderem é como o poker pode ter uma curva praticamente constante no longo prazo, enquanto dentro das mesas vemos aquela variância absurda que existe em um torneio. Aquele Deus nos acuda, bad beat acontecendo pra todos os lados…

A verdade é que sendo o longo prazo um conjunto de eventos de curto prazo, fica difícil do nosso cérebro compreender como as duas coisas se conectam. Inclusive porque cenários que frustram a gente, atingem diretamente o nosso emocional e isso nubla a capacidade do cérebro interpretar os fatos de forma racional.

É curiosa a forma como a matemática se manifesta. Se pensarmos que nossas chances de ganhar 3x seguidas uma situação de par maior contra par menor (80%/20%) são as mesmas de ganhar um “coin flip” (50%/50%), conseguimos visualizar com maior facilidade quanta sorte precisamos pra ganhar um torneio. Vejo pessoas falando em ter que ganhar várias situações desvantajosas pra ganhar um torneio. O buraco é muito mais embaixo, se ganharmos apenas as situações mais vantajosas, combinadas em sequência, isso já nos torna imensamente sortudos no curto prazo.

Nesses moldes, precisamos perder bastante quando somos favoritos pra que em um determinado torneio consigamos segurar todos esses cenários, ganhar mais alguns por baixo, conectar os boards quando jogamos post flop e então finalmente alcançarmos nosso maior objetivo- a vitória 🎯

É dessa forma que a matemática opera de forma perfeita no longo prazo. Não é à toa que gráficos de curto prazo são verdadeiras gangorras enquanto gráficos de longo prazo apresentam um retrato fiel do quanto aquele jogador prevalece sobre seus adversários.

Esse entendimento também ajuda bastante a lidar com as bad beats, porque fará com que vc enxergue cada uma delas como um investimento que acarretará na tão sonhada cravada. Como se fosse um banco, a cada bad beat sofrida vc acumula créditos. Quando os seus créditos atingem um determinado saldo, vc finalmente crava o torneio. Se vc não tem acumulado muitas bad beats é sinal que a cravada não está sendo construída.

💡Pense nisso e observe como sua relação com o jogo se harmonizará e vc naturalmente vai apresentar melhorias tanto na forma de jogar quanto em se relacionar com a variância do jogo, que é bem alta no curto prazo.

Abraços,
Chenaud
#PokerNossaVida

PS: 📝 Se quiser fazer um exercício interessante, vc pode conferir o histórico de mãos que vc jogou em um torneio que foi campeão. Conte a quantidade de vezes que vc ganhou all ins pre flop e quantos vc perdeu. Vai notar claramente que a balança estava desnivelada. Pra nivelar isso, vc vai ter que perder bastante all in em outros torneios. É dessa forma que a matemática se torna perfeita no longo prazo.

Pensamento Profissional Vs. Pensamento Amador

lineup_provsamadorRecentemente me fizeram a pergunta: “Chenaud, em que momento eu posso me considerar um jogador profissional de poker?”

Eu dei a minha resposta para ele, mas depois fiquei com essa pergunta na cabeça por um tempo e achei que valia a pena fazer uma reflexão sobre isso.

O que diferencia o jogador profissional do amador é a sua abordagem em relação a atividade que exerce; os métodos escolhidos para executá-la; seus níveis de exigência para buscar aprimoramento; a sua mentalidade para lidar com as frustrações e superar os desafios; a forma como lida com o dinheiro, sua ferramenta de trabalho… Os resultados serão uma consequência desse conjunto de fatores.

Se você se prepara constantemente para ser um jogador melhor, pratica o poker quase que diariamente, observa suas fraquezas e luta para fazer os ajustes necessários, então pode se considerar um jogador profissional, desde que os resultados também estejam presentes.

Se você faz toda essa preparação, mas não consegue ganhar no poker, ou não consegue ganhar com a consistência desejada, você tá no caminho certo mas ainda não chegou lá. Ainda não é um jogador profissional, que se sustenta com seus ganhos, mas se os resultados forem o único elemento faltando nessa equação, certamente vai chegar lá em algum momento. Você teria um problema bem maior para solucionar, caso a sua preparação não estivesse à altura de onde quer chegar. Nesse caso, o primeiro passo para obter êxito é ser 100% honesto consigo mesmo.

Fazer as perguntas mais difíceis e se preparar para respondê-las, ainda que o seu ego não queira ouvir as respostas num primeiro momento. Depois, ele com certeza lhe agradecerá

Atingir excelência em qualquer atividade exige sacrifícios, mas se essa for a sua verdade, então certamente encontrará os meios de se manter lutando até chegar lá. Do contrário, essa não era a sua verdade.

É preciso escolher um caminho e seguir em frente até trilha-lo nos moldes que sonhamos. Só fica pelo caminho quem desiste. Enquanto não houver desistência, segue a luta com a cabeça erguida.

Força na sua luta
Abraços,
Guilherme Chenaud

#PokerNossaVida #VoaLineUp

SIZE BET: A alma do negócio

padroes-de-apostas

O tamanho da aposta sempre transmite uma mensagem. Quando sentamos a mesa exercitamos a nossa individualidade enquanto jogadores de poker. Quando diferentes situações nos aparecem e reagimos a elas de uma mesma maneira, significa que estamos pecando em pelo menos uma delas. Não há como tomar uma decisão igual para duas situações diferentes e acertar em ambas, ou ao menos acertá-las de forma otimizada.
É fundamental mergulharmos no jogo e entender as nossas razões para executar as jogadas. Quão mais bem-sucedido formos nessa missão, mais desenvolvido será o nosso estilo único como jogadores de poker.
Gostaria de lembrar que não há como alcançar destaque, brilho em qualquer atividade, sem antes encontrarmos a nossa verdade naquilo tudo. O size bet é o nosso maior aliado nessa missão. É ele quem vai permitir que você conte a história que quer contar, seja o jogador que quer ser, simule o que quiser simular… enquanto não trabalharmos exaustivamente essa ferramenta, estaremos deixando muito a desejar no que se refere a exercer o nosso potencial enquanto jogadores. Pensem, treinem, testem, se permitam de tudo para exercitar essa ferramenta que eu gosto de chamar de a grande alma do negócio.
Só exercitamos a nossa individualidade enquanto jogadores quando manuseamos os sizes de uma forma que ele de identidade ao nosso jogo, ao nosso sistema. Nosso objetivo é fazer com que esse sistema seja o mais inexplorado possível. E para fazermos isso devemos estar amparados por fundamentos matemáticos e ajustados com a psicologia do caso concreto (adversário em questão + cenário que se apresenta diante de nós).
Na parte matemática, o size cumpre o papel de tornar um blefe lucrativo no longo prazo (relação risco/recompensa), ou ainda quando você está apostando por valor, construir um pot saudável para que no river você consiga extrair o máximo possível das suas melhores mãos, ou seja é no size que a diferença entre bons e maus jogadores se torna gritante e gera um gap enorme de resultado no longo prazo.
No caso concreto é o nosso size que vai conseguir explorar ao máximo as fraquezas dos nossos adversários. Sem essa ferramenta, ficamos amputados, jogando um sistema falho, refém do baralho e da boa vontade dos deuses.
Não deixemos de exercitar essa poderosa ferramenta! Ela é a nossa principal aliada para alcançarmos o nosso potencial máximo nas mesas e construirmos uma identidade enquanto jogadores de poker. Toda a atenção do mundo para isso!
Abraços,
Guilherme Chenaud

Dica de Livros

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É bem comum seguidores e alunos me perguntarem sobre livros de Poker que me fizeram performar melhor, então eu resolvi compartilhar com vocês dois desses livros.

O primeiro é o “The Royal Book” do Ivan Santana. Considero esta a melhor obra brasileira sobre Poker. O Ivan tratou de temas da maior importância como valor e blefe; balanceamento de ranges; minúcias do jogo pos-flop, sempre enfatizando a necessidade de se construir um raciocínio lógico que fundamente as decisões do jogador. Com certeza foi um livro ‘divisor de águas’ em
minha carreira, quando o li em 2010.
Outro livro que me transformou muito pra melhor, enquanto jogador, foi o “The Mental Game of Poker” do Jared Tendler. Como o nome já diz, esta obra fala da necessidade de ter o mental alinhado à técnica para performar em alto nível. Essa não é uma tarefa das mais fáceis, mas o Jared elucida, com rara didática, como fazê-lo.
Estes são os meus livros de cabeceira, que de tempos em tempos releio para manter os conceitos frescos na memória.
E os seus? Quais são os livros que você mais gostou sobre poker e que te fizeram performar mais? Gostaria de saber quais livros impactaram a sua jornada enquanto jogador e suas experiências com eles.

Abraços,
Chenaud